Traço sob medida

Recuperado e adaptado estruturalmente, Estádio Municipal de Fortaleza poderá receber treinos de seleções durante a Copa de 2014. Obras demandaram até o desenvolvimento de concretos e grautes especiais

Heloisa Medeiros

O consórcio formado pela Módulo Engenharia e pela construtora Fujita venceu a licitação da obra em meados de 2009. A Módulo é especializada em identificar, diagnosticar e executar recuperação e reforço em estruturas de concreto armado. A Fujita executou a obra. Os responsáveis por elaborar os projetos de recuperação, reforço e modernização do estádio foram os calculistas estruturais José Luiz Cardoso e Luiz Eduardo Cardoso, da JLC.

No total, foram recuperados e reforçados 37.620 m2 de estrutura de concreto armado e lançados 2.633 m3 de concreto projetado. As obras foram iniciadas em janeiro de 2010 e concluídas em maio de 2011. O estádio aumentou sua capacidade para 22 mil pessoas e o acesso pode ser feito por rampas. Também dispõe agora de dois elevadores para as autoridades e deficientes físicos, além de vários acessórios requisitados pelo padrão Fifa.

Mudanças significativas
As transformações foram significativas tanto na funcionalidade como na estrutura de concreto armado. O sistema estrutural foi modificado, e todos os pórticos planos principais, no sentido radial do estádio, tornaram-se monolíticos, transformando- se em pórticos com cinco pilares o que antes eram dois pórticos sequenciados, um com dois pilares e o outro com três pilares. Além disso, algumas juntas de dilatação foram bloqueadas, principalmente as dos setores curvos do estádio.

Toda a estrutura das arquibancadas foi reforçada com armaduras complementares e concreto projetado com adição de sílica ativa. Esta metodologia foi precedida pelo apicoamento e furação do concreto, e pela montagem e fixação das armaduras. “Como se trata de uma arquibancada, os acessos são difíceis e dificultam a aplicação manual do graute ou o uso de fôrmas. O uso do concreto projetado tornou o trabalho mais rápido, além de proporcionar um resultado melhor com sílica ativa”, enfatiza o engenheiro Luis Carlos Montenegro, diretor da Módulo.

As arquibancadas receberam um revestimento de microconcreto modificado com polímero, a fim de prevenir fissuras de retração e desplacamentos. Um ensaio de aderência foi realizado pela Universidade Federal do Ceará.

Patologias
De acordo com Montenegro, entre outras patologias, a estrutura apresentava pontos de desplacamento devido ao aumento de diâmetro das armaduras corroídas, que forçam a camada de cobrimento do concreto. Este aumento de diâmetro ocorre devido à corrosão, principalmente, por cloretos, comuns em regiões litorâneas.

Devido à idade da estrutura, também foi diagnosticada a carbonatação, além de insuficiência de cobrimento e inexistência de impermeabilização. A maioria dos problemas aconteceu por falta de manutenção e pelo tipo de execução da época.

Ensaios dinâmicos de vibração forçada foram acompanhados pelo professor Pedro Almeida, da Poli-USP, para simular o efeito dinâmico provocado pelo público. Com esses dados, os calculistas da JLC projetaram o reforço de toda a estrutura, além do bloqueamento de algumas juntas de dilatação e consolidação dos pórticos principais, eliminando dentes Gerber.

Principais etapas

   

    

     

A metodologia utilizada pela Módulo para a recuperação e reforço estrutural consistiu, primeiro, em fazer o apicoamento e cortes no concreto das superfícies dos pilares, vigas e lajes com marteletes e rompedores pneumáticos e, em alguns casos, com marteletes elétricos. Depois, foi realizada a furação da estrutura para colocação das armaduras de reforço.

No passo seguinte, efetuou-se a montagem e fixação das armaduras com epóxi, seguida de hidrojateamento com agregados molhados das armaduras e do concreto velho. Na sequência, a aplicação de concreto projetado com adição de sílica ativa, em toda a superfície armada. A sílica ativa acrescida ao traço do concreto, na proporção de 10% em relação ao peso do cimento, ajudou a melhorar sua qualidade final, diminuindo a porosidade, o fator água-cimento, a permeabilidade e as perdas decorrentes da reflexão do material projetado.

Traço controlado
“Todos os traços de concreto projetado utilizados na obra foram controlados e ensaiados por uma empresa especializada, que nos forneceu resultados de resistência, consumo, porosidade e fator água-cimento. A resistência à compressão adotada como parâmetro para o concreto projetado foi de 30 MPa. Entretanto, especificamente para alguns elementos estruturais, atingimos um fck de 45 MPa”, destaca o engenheiro estrutural, José Ramalho, consultor da obra.

Finalmente, partiu-se para o acabamento e aplicação de impermeabilizante na superfície inferior ou superior, conforme a especificação.

Segundo Montenegro, esta é a metodologia adotada na grande maioria dos casos. “Para atingirmos o ritmo planejado, com prazo exíguo, trabalhamos com quatro máquinas projetoras tipo Allentown, seis compressores com capacidade de 400 P.C.M., um reservatório de ar de 1 m3, aproximadamente 50 equipamentos pneumáticos de várias espécies, além de equipamentos elétricos para diversas finalidades.

Alguns outros procedimentos foram empregados pontualmente, como injeção de resina epóxi, reforço com fibras de carbono e proteção da estrutura de concreto armado com materiais cristalizantes e impermeabilizantes, que funcionam por osmose ao impregnar os poros do concreto.

Fonte: www.revistatechne.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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