Estoques sob controle

Confira como armazenar corretamente cada tipo de material em obra para evitar danos e perdas

Fotos: Marcelo Scandaroli
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Dentre as principais recomendações para estocar materiais e insumos em canteiro estão respeitar alturas máximas de pilhas, evitar contato com umidade ou misturar materiais. Além disso, princípios gerais de logística devem ser considerados, como reduzir o transporte, planejar locais de estocagem e vias de acesso, e aplicar critérios de utilização – o primeiro que entra é o primeiro que sai.

Para o engenheiro Carlos Formoso, professor e pesquisador do Norie (Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação), da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), não basta apenas planejar o layout e as instalações provisórias no início do empreendimento. “É preciso rever o planejado várias vezes ao longo da obra, de forma a considerar as mudanças necessárias às várias etapas. É como trabalhar numa fábrica que precisa ser modificada várias vezes durante o processo de produção”, ilustra.

 

A tendência é reduzir almoxarifado e estoques, que têm custo de operação elevado e – principalmente no caso de materiais com alto valor agregado, como louças e metais – representam capital parado. Em alguns casos é possível estabelecer parcerias com fornecedores e adotar entregas just-in-time. “Para reduzir estoques, empresas de grande porte na Europa e Estados Unidos criam centros de distribuição, inspirados em práticas de outras indústrias. No Brasil, ainda há poucos casos assim, mas temos que pensar no futuro. As revendas de materiais podem exercer papel logístico mais forte em vez de simplesmente serem intermediárias nas transações comerciais”, acredita Formoso.

 

PLANEJAMENTO INTEGRADO

Para o engenheiro Wendell Leopoldino, coordenador de obras na WR Engenharia, de Maceió, o melhor é planejar primeiro as compras dos materiais e insumos, em conjunto com a equipe de suprimentos e os fornecedores, a fim de programar as entregas nos prazos compatíveis com cada etapa da obra. A partir disso, vem o planejamento do espaço do almoxarifado.

“Por isso, é importante que o almoxarife também participe desta fase, entendendo todo o processo de entrega de material durante a evolução da obra. Dessa maneira é possível definir o espaço necessário para cada etapa, evitando ao máximo a incompatibilidade do estoque com os serviços a serem executados”, destaca Leo­poldino. Ele recomenda que os materiais de maior valor sejam armazenados em locais fechados, com acesso restrito.

Como regra geral, ao verificar o material no momento da entrega é preciso checar se a carga corresponde exatamente ao que foi pedido, conferindo tipo, marca, quantidade, existência de avarias nas embalagens em razão do transporte e qualidade dos produtos. O ideal é levar em conta a relação custo-benefício e comprar somente a quantidade necessária para cada etapa da obra, evitando perdas.

 

 

Fotos: Marcelo Scandaroli
Para evitar problemas devido à umidade, blocos devem ser cobertos com lona e isolados do piso ao estocar a céu aberto

CONTROLE DE PERDAS

De maneira geral, os materiais com maior incidência de perda são os fornecidos agranel, como areia, cimento, cal, brita, argamassa. Há duas razões principais para isso. A primeira é o fato de ser a granel, o que acarreta em perdas no recebimento, estocagem e manuseio. Além disso, são insumos utilizados em processos mais artesanais, como revestimentos de argamassa, assentamento de blocos e tijolos, confecção e lançamento de concreto, entre outros. “Esses materiais também dependem muito de atividades que não agregam valor e apresentam risco de perdas, como transporte, limpeza e remoção de entulho”, destaca o professor.

Comentando as perdas de material e mão de obra, Leopoldino lembra de uma obra de 96 mil m2, onde trabalhava com entregas convencionais. “Nessa época, gastávamos grande parte de mão de obra para descarregar e estocar materiais. E observávamos as perdas, como blocos quebrados, sacos rasgados, mau dimensionamento das áreas destinadas aos estoques. Enfim, a empresa acumulava prejuízos incalculáveis. Para acabar com o desperdício resolvemos verificar outras obras e filmamos as entregas. Detectamos que cerca de 20% dos materiais sofriam danos”, relata.

Depois disso, a equipe apresentou os vídeos à diretoria e os gastos resultantes. Posteriormente, foram apresentadas soluções, entre elas a paletização dos produtos. Um dos passos foi retirar a mão de obra própria da descarga, o que, além de consumir homens/hora, prejudicava a saúde dos colaboradores”, lembra Leopoldino. Ele conta que a empresa começou a utilizar equipamentos como empilhadeiras, carrinhos e plataformas, e implantou um projeto de logística em cada canteiro de obra. Confira a seguir a melhor maneira de armazenar alguns dos principais insumos e materiais de obra.

Consequências do armazenamento inadequado

Areia e brita: sem pavimentação pode haver contaminação do estoque pelo solo.

Cimento e cal: endurecem e estragam ao ficar em contato com umidade.

Esquadrias de alumínio: problemas com riscos e avarias dimensionais.

Louças sanitárias: quebra, riscos e avarias.

Madeira para fôrmas: deformação, empenamento e deterioração devido à umidade.

Tijolos e blocos: variações dimensionais dos blocos, quebras e perdas de material, além de questões de ergonomia e segurança, que podem afetar os operários. Por isso, as pilhas devem ter no máximo 1,4 m de altura.

Tintas: comprometimento da qualidade das tintas e perigo de incêndio.

Telhas cerâmicas: dilatações higrotérmicas e quebras.

Tubos e conexões de PVC: deterioração pela luz solar, além de perdas por danos e quebras.

Vergalhões: se ficarem em contato com o solo e expostos às intempéries podem sofrer corrosão.

 

Dicas para armazenar dez tipos de insumos

Daniel Beneventi

1 AREIA E BRITA
Local:
 em baias planas, cercadas próximas ao portão de materiais. Caso o local seja descoberto, devem ficar sob cobertura de zinco ou lona plástica.
Prazo: sem restrições.
Orientações: evitar contato direto com o terreno, que deve de preferência ser pavimentado e apresentar contenções laterais para evitar escoamento devido à chuva. 
Espaço: para 10 m³ de areia ou brita, com altura de 80 cm, o espaço deve ser de cerca de 12,5 m².

2 CIMENTO E CAL
Local:
 ambiente fechado e isento  de umidade. 
Prazo: por no máximo 30 dias.
Orientações: sobre estrados de madeira com os sacos isolados do piso e afastados 30 cm das paredes, em pilhas com no máximo dez sacos, no caso do cimento, e 15 sacos, no caso da cal. Forrar para evitar a umidade do solo.
Espaço: para 200 sacos de cimento de  50 kg cada, o espaço mínimo deve ser de 9 m². Para 200 sacos de cal de 20 kg cada, o espaço mínimo é de 5 m².

3 MADEIRA PARA FÔRMAS
Local:
 chapas de compensados podem ser armazenadas em local aberto, sempre cobertas com lona plástica.
Prazo: sem restrições.
Orientações: armazenar sobre pontaletes e não deixar em contato com o solo. Seguir as orientações do fabricante quanto ao número máximo de chapas a serem empilhadas. Geralmente, as pilhas devem ter 0,5 m de altura. Podem ser empilhadas seguindo normas de tabicamento (colocação de ripas transversais para que o ar possa circular livremente entre as peças).
Espaço: cerca de 5 m² para até 30 chapas.

Daniel Beneventi

 

 

4 TELHAS CERÂMICAS
Local:
 podem ser colocadas em local aberto e arejado, porém coberto. Caso contrário, deve-se cobri-las com lona plástica, preservando da ação das intempéries.
Prazo: sem restrições.
Orientações: devem ser acondicionadas verticalmente, em até três fiadas sobrepostas, sobre camada de areia, em local plano, evitando contato com terra ou barro. A parte superior das telhas, onde fica o pré-furo, deve ficar voltada para baixo. Evitar mudanças constantes de local, transportando-as em definitivo para montagem do telhado.
Espaço: cerca de 6 m².

5 LOUÇAS SANITÁRIAS
Local:
 devem ser acondicionadas em lugar coberto, nos pavimentos onde serão instaladas, evitando contato com material agressivo ou abrasivo.
Prazo: sem restrições.
Orientações: devem ser mantidas nas embalagens originais. O ideal é empilhar conforme instruções do fabricante. Todas as partes devem estar protegidas com papel ou plástico para evitar contato com os apoios. Quando não for possível, posicionar ripas de madeira entre as peças para evitar riscos e contato direto entre as superfícies.
Espaço: cerca de 20 m².

6 TIJOLOS E BLOCOS
Local:
 podem ser armazenados a céu aberto, em terreno nivelado, desde que cobertos com lona plástica.
Prazo: sem restrições.
Orientações: para mil unidades, recomenda-se espaço de 8 m2. A partir de 1,2 m até 1,4 m de altura, a pilha deve ser escalonada ao centro com inclinação aproximada de 10%. Podem ser empilhados segundo o princípio de amarração, ou seja, dispostos em fiadas, com variação no sentido dos blocos, de forma que a pilha tenha mais estabilidade. É recomendável executar contrapiso na área de estocagem.
Espaço: a área reservada deverá ser suficiente para armazenar múltiplos de uma carga de caminhão, que será determinada pelo tipo de bloco e veículo do fornecedor. O planejamento de entregas deve ser feito em função da execução da obra, de forma a reduzir ao máximo o estoque.

Daniel Beneventi

 

7 VERGALHÕES
Local:
 lugar seco e protegido de intempéries. Podem ser armazenados em prateleiras, cavaletes ou empilhados no piso. O aço deve ficar em pilhas organizadas conforme a bitola. Para a separação das pilhas de aço devem ser utilizadas estacas de madeira em vez de perfis metálicos.
Prazo: não devem ficar expostos a céu aberto por mais de 90 dias.
Orientações: separados por bitola, pois a identificação visual é difícil e apenas o CA-50 possui o diâmetro nominal gravado. Podem ser armazenados em locais abertos, de preferência cobertos com lona plástica. Evitar estocar sobre lajes recém-concretadas para não causar sobrecarga.
Espaço: área de cerca 3 m x 15 m. Em geral, o comprimento mínimo deve ser de 15 m, com largura mínima que permita armazenar o aço conforme a bitola.

8 ESQUADRIAS DE ALUMÍNIO
Local:
 devem ser estocadas em locais fechados, com baixa umidade e isentos  de pó ou poeira, sem contato com materiais abrasivos.
Prazo: sem restrições.
Orientações: devem ser guardadas na própria embalagem em posição horizontal. Evitar respingos de argamassa.
Espaço: cerca de 20 m².

9 TUBOS E CONEXÕES DE PVC
Local:
 em locais fechados, tais como almoxarifados, organizados por bitolas, ou, pelo menos, cobertos, livres da ação direta do sol.
Prazo: sem restrições.
Orientações: os tubos devem ser escorados lateralmente e as pilhas não podem ultrapassar 1,8 m de altura. Também podem ser acomodados em ganchos fixados nas paredes. Criar prateleiras para organização do estoque de acordo com as dimensões.
Espaço: a estocagem de tubos de PVC deve prever que uma das dimensões da instalação tenha, no mínimo, 6 m de comprimento. A área deve ser de cerca de 2 m x 7 m.

Daniel Beneventi

 

10 TINTAS
Local:
 almoxarifado, depósito ou sala de armazenamento bem ventilada, com paredes, pisos e tetos de material não combustível. A maioria das tintas contém solventes orgânicos inflamáveis, com exceção das produzidas à base de água.
Prazo: observar prazo de validade impresso na embalagem.
Orientações: em prateleiras que devem ser firmes e resistentes para suportar o peso das latas. A temperatura do ar no ambiente não deverá exceder a 40ºC. Podem ser empilhados dez galões ou cinco baldes de 18 l. Ao guardar, prever a possibilidade de tirar as latas mais antigas primeiro.
Espaço: o espaço mínimo disponível é de 2 m2.

 Fonte:http://revista.construcaomercado.com.br/guia/habitacao-financiamento-imobiliario/121/estoques-sob-controle-confira-como-armazenar-corretamente-cada-tipo-226045-1.asp

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4 comentários sobre “Estoques sob controle

  1. Tenho duvidas:

    Tenho uma área para estocagem de tintas a base de água e resina, minha duvida é: posso usar pallet de plastico ou devo usar o de madeira, para não deixar o material direto no chão?

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