Contenção acústica

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação, no dia 4 de julho, o projeto de lei 853/2007, que dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de barreiras de proteção acústica nos pontos do município que são cortados por rodovias. “Laudos elaborados por uma consultoria mostraram um nível de ruído muito acima do permitido”, justifica o vereador Juscelino Gadelha, autor do projeto, para quem o barulho no espaço urbano é um problema de saúde pública.

A ideia do projeto, que ainda passará por segunda votação na Câmara, é aumentar a pressão sobre o poder público por providências que atendam aos requisitos de normas técnicas. Segundo o vereador paulistano, no Rodoanel, apenas bairros de classe média alta estão protegidos do barulho por barreiras – “é o caso de Tamboré, Granja Viana e City América”, cita. “Já bairros mais pobres, como Perus, Jardim Raposo Tavares e Vila Mimosa continuam sofrendo com os ruídos constantes.”

Gadelha lembra também que era prevista a instalação de barreiras acústicas ao redor das pistas da Nova Marginal, o que ainda não aconteceu. A concessionária CCR RodoAnel informou, por sua assessoria de imprensa, que ainda faz parte do cronograma de investimentos da empresa a construção de barreiras acústicas em outros dois pontos do Rodoanel Oeste – os quilômetros 22 e 23. Afirmou também que alternativas estão sendo estudadas junto à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) para mitigar ruídos na região do Parque Imperial, na saída do túnel 2.

Segundo vários especialistas que acompanharam o caso do Rodoanel, a barreira acústica do km 13 só foi executada por pressão de 12 anos de briga judicial entre o condomínio Tamboré, de alto padrão – e que já existia antes da construção da rodovia – e o Poder Público. “Além dos custos altos de adaptação das moradias, com janelas acústicas e sistemas caros de condicionamento de ar, há também o risco da depreciação imobiliária, por conta do ruído”, explica Davi Akkerman, engenheiro da Harmonia Acústica.

Para discutir o assunto foi realizado em maio, na Câmara Municipal de São Paulo, um seminário sobre Ruído e Saúde Publica. Um dos participantes, o engenheiro e diretor técnico da Ieme Brasil, Marco Juliani, explicou que as barreiras antirruído são soluções muito comuns em países como Japão e Estados Unidos. No Brasil, somente nos últimos anos é que elas começaram a se disseminar como solução para atenuar a poluição sonora no entorno de vias de tráfego intenso.

Em abril deste ano, técnicos da Ieme realizaram medições em regiões lindeiras à rodovia Raposo Tavares. Em todos os horários e pontos de medição, os valores médios de ruído atingiram patamares superiores a 60 dB. Dentro de uma escola municipal no km 15 da mesma rodovia, o barulho ultrapassou 70 dBA. Segundo o especialista, “resultados indicam que a população dessas regiões fica suscetível a problemas de saúde decorrentes da exposição contínua a ruídos, como irritação, depressão, ansiedade, insônia, distúrbios auditivos, além de doenças cardiovasculares e mentais”.

Para o engenheiro Fernando Henrique Aidar, que estudou e prestou consultoria ao caso do Rodoanel e dirigiu estudos de mitigação de ruídos para a região da avenida Jacu- -Pêssego, também na região metropolitana de São Paulo, “o problema é que a ação no Brasil é sempre passiva: primeiro vem a estrada, cortando o perímetro urbano e trazendo o barulho e só depois é que se pensa na necessidade de mitigá-lo”, lamenta Aidar. “É preciso integrar projetos e poderes públicos – federal, estadual e municipal -, e definir previamente impactos ambientais, sociais, econômicos – inclusive o ruído”, defende.

Para Aidar, não há sentido em zonearmunicípios, para depois construir estradas. Assim como não tem sentido nenhum lotear beiras de estradas operantes. “É claro que proprietários reclamarão do barulho”, critica.

FONTE: http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/173/artigo226464-1.asp

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