Prédio que caiu no Rio de Janeiro teve paredes estruturais derrubadas

Operários admitiram que quebraram paredes e um pilar de concreto armado em acareação feita pela Polícia Federal

Operários teriam derrubado estrutura de transição localizada no 9° andar

A Polícia Federal realizou ontem (3) acareação com três operários que trabalhavam na obra do 9° andar do Edifício Liberdade, que caiu no dia 25 de janeiro na Avenida 13 de Maio (Rio de Janeiro) levando mais dois edifícios e deixando 22 mortos. Os operários confirmam ter derrubado paredes estruturais e um pilar de concreto armado.

No depoimento, os operários disseram que derrubaram todas as paredes do andar, com exceção das paredes da sala de arquivos, da parede que dividia as salas do banheiro e de uma coluna próxima ao banheiro. Os vergalhões das paredes, que se ligavam às lajes superior e inferior, foram cortadas e lixadas.

A reforma no Edifício Liberdade era realizada pela empresa Tecnologia Organizacional (TO), que por sua vez nega haver derrubado pilares e vigas. “Ficou esclarecido que as paredes derrubadas eram de fato paredes estruturais do prédio, agora da maneira que isso abalou o prédio é a perícia que vai nos dizer”, afirmou Fábio Scliar, delegado da PF ao portal G1.

Na avaliação do engenheiro Manoel Lapa, vice-presidente do Clube de Engenharia e coordenador de uma comissão independente criada para investigar as causas do desabamento, possivelmente havia no local uma estrutura de transição. “A partir daquele andar, haveria um prisma de ventilação, e, na extremidade do prisma, provavelmente havia pilares que subiam a partir daquele ponto que os operários quebraram”, analisa.

O prisma de ventilação é como um recuo, entrando para dentro do prédio para ventilação. “Possivelmente havia pilares na fachada, e como naquele ponto a fachada veio para dentro do edifício, possivelmente havia pilaretes na fachada que nasciam em cima de vigas e paredes que faziam a transição. É uma hipótese”, explica Lapa.

A causa do desmoronamento ainda está sendo investigada. “Pela minha experiência e pela literatura, o tipo de ruptura que ocorreu, de uma só vez e sem aviso, foi por esmagamento do concreto. E isso não ocorre sem motivo, mas sim quando pelo menos uma parte dele é quebrada, sobrecarregando ele e os demais”, reflete Lapa.

De acordo com o representante da Associação de Vítimas da Avenida 13 de Maio, Octávio Blatter, mesmo que fique comprovada a modificação na estrutura do prédio, outras omissões apontam para um número grande de responsáveis pelo desabamento: “O síndico e o administrador do prédio deveriam ter acompanhado mais de perto essa obra”, diz.

A obra não tinha engenheiro responsável e não estava registrada junto ao Crea-RJ. Segundo a funcionária da TO responsável pela obra, havia uma “autorização verbal” do síndico para sua execução. “Não se pode quebrar estruturas de concreto sem acompanhamento de engenheiro especialista, nem o arquiteto deveria fazer isso, e sim chamar o calculista”, reforça Lapa.

Fonte: http://www.piniweb.com.br

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