Prêmio Talento Engenharia Estrutural anuncia os vencedores

Foram anunciados quarta à noite (24) os vencedores do Prêmio Talento Engenharia Estrutural 2012, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece) em parceria com a Gerdau. Ao todo foram dez projetos escolhidos nas categorias Infraestrutura, Edificações, Pequeno Porte e Obras Especiais, e nas premiações especiais Destaque do Júri e Sustentabilidade.

No ano passado, a maioria dos projetos reconhecidos havia sido executada no eixo Rio-São Paulo. Em 2012, os resultados refletem o crescimento das atividades da construção civil em outras cidades do País, com destaque especial para a região Nordeste.

Destinado à valorização e divulgação de trabalhos de projetistas de estruturas, o concurso é realizado anualmente, com entrega do prêmio feita durante o Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural (Enece). Os quesitos para julgamento são concepção estrutural, processos construtivos/uso adequado de materiais, originalidade, monumentalidade, implantação no ambiente, esbeltez/deformabilidade, estética/economicidade.

Veja todos os ganhadores:

Prêmio Destaque do Júri

Vencedor: Bruno Contarini
Nova sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília (DF)

Com projeto de Oscar Niemeyer, a nova sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é composta por um prédio principal de 12 pavimentos em concreto armado e protendido, com lajes de 210 m de comprimento, 18 m de largura e vãos de 20 m. Um subsolo único com vãos de até 27 m em grelha integra a estrutura do edifício principal e as três cúpulas com 28 m, 30 m e 35 m de diâmetro. Uma das principais dificuldades da obra, segundo o projetista estrutural Bruno Contarini, foi a execução dos balanços de 16 m nas extremidades do edifício, apoiados em um único pilar. Os esforços localizados exigiram que se projetasse um grande caixão resistente à torção.

Prêmio Sustentabilidade

Vencedor: Carlos Alberto Szucs
Residência RW, em Búzios (RJ)

A casa predominantemente horizontal tem blocos divididos em três eixos, formando uma planta em H que abriga suítes, sala de estar com pé-direito duplo de cerca de 6 m de altura e espaços de lazer com piscina e varanda gourmet. O escritório de arquitetura Bernardes Jacobsen e o proprietário buscavam um projeto residencial que não fosse apenas funcional, mas que tivesse um processo de construção eficiente e industrializado, com um canteiro de obras limpo e com impacto ambiental mínimo. A solução foi o emprego de estrutura pré-fabricada com a técnica da madeira laminada colada (MLC).  Somente as estruturas da base e das fundações foram projetadas em concreto armado. O dimensionamento foi feito de acordo com as prescrições da norma NBR 7.190:1997 Projeto de Estruturas de Madeira.

Categoria Infraestrutura

Vencedor: Vicente Garambone Neto
Ponte do Saber, no Rio de Janeiro (RJ)

Localizada na Ilha do Fundão,a ponte possui um pilone construído em concreto armado, ao qual estão presos 15 estais metálicos dispostos em formato leque-harpa. Eles sustentam, em um eixo central único, o tabuleiro de caixas de concreto armado construído por balanços sucessivos. O carregamento é contrabalançado, do lado oposto do pilone, por três pares de estais traseiros em dois planos. A opção pela ponte estaiada com apoio único se deu pelas condições do solo, que tem partes aterradas nas duas margens. A solução foi localizar o apoio único na Ilha do Fundão.

Menção honrosa: Ademir Santos

Ponte do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho (PE)

A ponte sobre o rio Jaboatão conta com mirantes voltados para a orla de Recife, executados com lajes de concreto apoiadas em vigas metálicas dispostas radialmente e sustentadas em parte nos apoios intermediários e em parte por um conjunto de estais ligados a um mastro metálico. A ponte divide-se em três vãos – um central de 130 m e dois laterais de aproximadamente 82 m. As fundações para todos os apoios foram constituídas por estacas metálicas agrupadas em blocos de coroamento em concreto armado. Nas regiões dos apoios intermediários, praças de contemplação de planta semicircular projetam-se para o lado a montante do rio, na direção dos arranha-céus de Recife.

Categoria Edificações

Vencedor: João José Asfura Nassar
Edifícios Píer Maurício de Nassau e Píer Duarte Coelho, em Recife (PE)

O projeto estrutural de João José Asfura Nassar, executado pela Moura Dubeux Engenharia, para as duas torres residenciais com 42 pavimentos cada foi feito em concreto armado com lajes nervuradas para atender às demandas do projeto arquitetônico com economia e segurança. A fachada curva revestida em cerâmica demandou cuidadosa análise das deformações estruturais e das alvenarias. O efeito da ação do vento norteou o dimensionamento das peças e a análise dos esforços na fundação.

Menção honrosa: Minor Nagao
Torre IV do Centro Empresarial Nações Unidas, em São Paulo (SP)

O quarto edifício do conjunto empresarial localizado na zona Sul de São Paulo é um Triple A com seis subsolos e 31 lajes acima do solo. Sua planta se aproxima de uma geometria triangular, com três lados ligeiramente arredondados e vértices de curvatura mais fechada. As cargas são distribuídas pelos pilares de periferia, sete em cada face, e pelos pilares-parede no core central. Lajes protendidas de 22 cm de espessura viabilizam o vão de 13 m. Os subsolos do edifício estão interligados aos das demais torres do centro empresarial, formando um único grande conjunto que autoequilibra os empuxos de terra transmitidos pelas paredes-diafragma periféricas. Toda a estrutura do núcleo central, com 56,3 mil tf, apoia-se em fundação direta, num bloco de 3 m de altura com planta hexagonal.

Categoria Obra de Pequeno Porte

Vencedor: Ibsen Puleo Uvo
Casa em Ubatuba (SP)

A casa à beira-mar projetada pelo arquiteto Ângelo Bucci localiza-se em um terreno inclinado ocupado por vegetação de mata atlântica, que deveria ser preservada. O programa se distribui em três volumes independentes, cada um com dois pisos e cobertura. Eles estão pendurados no último pavimento, composto por duas vigas longitudinais e duas vigas transversais, apoiados em três pilares. As lajes dos três volumes independentes, de 16 cm cada, são sustentadas por dez tirantes metálicos, projetados para interferirem o mínimo possível no interior dos ambientes. Há algumas paredes de concreto que, além de funcionarem como fechamento, ajudam a limitar a deformação horizontal das partes penduradas. Os pilares estruturadores da “casa na árvore”, a partir dos blocos de transição, transferem toda a carga da casa de compressão para a fundação em tubulões.

Menção honrosa: Cândido José de Fonseca Magalhães

Residência em Araras, Teresópolis (RJ)

Pouco comum em obras residenciais, o partido estrutural com estruturas metálicas e lajes mistas foi a solução proposta para o projeto desta casa na região serrana do Rio de Janeiro. A residência se desenvolve em um volume cuja projeção em planta é de 10 m x 30 m. A estrutura é composta por duas treliças na face externa e uma viga Vierendeel central. Duas extremidades estão apoiadas em rocha, e a parte frontal da estrutura projeta-se em balanço na direção oposta. De acordo com o calculista, a fundação da residência está atirantada na rocha.

Categoria Obras Especiais

Vencedor: Marcelo Correia Alcantra Silveira
Arena Castelão, Fortaleza

Dos diversos setores em que a arena se divide, a estrutura que contempla o entorno da arena, as rampas de acesso e o anel inferior das arquibancadas é a mais interessante do ponto de vista técnico, segundo o calculista. O acesso dos torcedores será feito por grandes rampas que se dirigem ao anel superior e ao anel inferior. Lajes planas maciças em concreto protendido viabilizaram os vãos, que variam de 11 m a 15 m. Elas se apoiam em vigas que formam os pórticos de apoio da estrutura metálica de sustentação da cobertura – esta estrutura, por sua vez, funciona como controlador das vibrações oriundas da ação das torcidas no anel superior da arena, setor preservado do estádio original.

Menção honrosa: Francisco Helder do Vale Martins
Centro de Eventos do Ceará, Fortaleza

O complexo é formado por dois pavilhões idênticos, espelhados, cada um com 300 m x 100 m, e pé-direito de 14 m no salão central de exposições. A estrutura é pré-fabricada, com destaque para os pilares de 26,75 m de altura e as lajes alveolares que vencem vãos de até 15 m e chegam a suportar uma sobrecarga de 2 mil kg/m². Entre os dois pavilhões fica uma área de convivência de 6 mil m², estrutura moldada in loco devido, principalmente, à dificuldade de modulação da abertura elíptica na laje de cobertura. A área da cúpula da cobertura é de 2 mil m², feita em estrutura metálica. Interligando os blocos de cada pavilhão, duas passarelas de 2,8 m de largura vencem vãos de 55,5 m sobre o salão de exposições.

Fonte: PINI

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