Oscar Niemeyer, eternizado por sua obra

Praça dos três poderes

Praça dos três poderes

Como muitos já sabem, nessa última quarta feira, às 21:55, veio à óbito um dos maiores nomes relacionados à construção e projeção das obras mais conhecidas situadas em território nacional: Oscar Niemeyer.

Nascido no Rio de Janeiro, formado engenheiro-arquiteto pela Escola de Belas Artes em 1934, Niemeyer completaria no próximo sábado (dia 15/12) seus 105 anos. Sua memória está marcada por várias estruturas que foram erguidas por meio de seu talento na arquitetura. Algumas fontes afirmam que Niemeyer assinou mais de 500 obras. Apesar disso, é fácil concluir que esse número deve ser maior, pois é sabido por muitos que Oscar sempre foi um homem muito desapegado, não interessado em acumular dinheiro e, por isso, cedeu muitos projetos seus para outros arquitetos.

Um exemplo curioso dessa realidade é o do prédio que hoje cedia uma das maiores instituições formadoras de engenheiros no mundo, o ITA. Os prédios do Instituto de Tecnologia da Aeronáutica e do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) tiveram concorrência aberta no final da década de 40. O escritório de Niemeyer venceu entre cinco outros projetos para a construção do complexo. O fato curioso é que, poucos anos depois do ocorrido, foi apossado o novo presidente da época, Eurico Gaspar Dutra, que decidiu tirar o projeto das mãos de Niemeyer. Isso está relacionado a opção política do arquiteto, que, depois de conhecer Luís Carlos Prestes, em 1945, filiou-se ao partido comunista.

Nesse contexto, a solução encontrada para manter os projetos de Niemeyer foi contratar o escritório de Rosendo Mourão, seu ex-estagiário. Em entrevista ao G1, Rosendo disse sobre a situação: ”Eu tinha carta branca para fazer o que eu quisesse, porque os militares confiavam em mim e até preferiam quando eu não pedia ajuda a Niemeyer. Mas, por respeito a ele, segui todo o projeto à risca. Ele era uma pessoa muito boa. Me ensinou muita coisa”. Segundo ele, Niemeyer era acessível e brincalhão. “Às vezes ele dormia na minha casa em São José para explicar mais sobre a obra do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), escondido, com medo de ser preso pelos militares”, disse. Veja fotos do DCTA e de parte da estrutura do ITA que Niemeyer projetou:

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A opção política que Niemeyer fez revela, ainda, bastante dos seus ideais e ainda mostra relação com o seu trabalho na arquitetura. Assim, ele mesmo disse: “Não me sinto importante. Arquitetura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral.”

Deixando o olhar artístico e analisando de forma estrutural, as obras desse grande arquiteto não deixam de ser ricas. Por Niemeyer fazer grande uso de certa técnica de construção, ficou conhecido como “O Poeta do Concreto Armado” e é um projeto de responsabilidade de Niemeyer o maior prédio feito em concreto armado de todo o País, o edifício Copan, situado no centro de São Paulo. Esse foi um dos grandes projetos para São Paulo apresentados por ele em 1951. Veja a foto do edifício Copan:

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Como muitos sabem, a estrutura de concreto armado é uma das mais utilizadas no Brasil. Basicamente, esse tipo de estrutura é composta de barras de aço, chamadas armaduras, que são inseridas no concreto, formando, assim, o esqueleto da edificação, formada por pilares, vigas e lajes, conforme a figura:

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Outra parte de sua obra que não pode deixar de ser citada é a construção de Brasília. O Palácio do Planalto, o Palácio do Itamaraty, a sede do Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional, o Palácio da Alvorada e muitas outras estruturas foram projetadas por Niemeyer. Sobre o período da construção de Brasília, arquitetos que trabalhavam com Niemeyer têm muitos relatos sobre o período em que estiveram juntos e sobre quão grande é a perda desse grande profissional para a história brasileira. Em entrevista, muitos falaram sobre a experiência de ter trabalhado com o famoso arquiteto. Ítalo Campo Fiorito, de 80 anos, disse que o projeto da nova capital federal foi sua primeira oportunidade de trabalho. “Cheguei lá em 1958. Ninguém acreditava que aquilo fosse ficar pronto, mas ficou. Essa foi a minha melhor experiência profissional. Depois fomos fincando velhos e nos tornamos amigos. Ele [Niemeyer] queria justiça para o mundo e trabalhava de manhã até a noite.” Ítalo conta que Niemeyer sempre buscava ajudar os mais próximos e que chegou a ser preso durante o regime militar apenas por ser amigo de Niemeyer. Jaimi Zettel, de 80 anos, que também trabalhou junto com Lúcio Costa e Niemeyer lembra que a experiência foi inspiradora. “Niemeyer era um mestre”, resumiu. Veja as fotos a seguir de diversas obras importantes:

Centro cultural Oscar Niemeyer

Centro cultural Oscar Niemeyer

Catedral Metropolitana de Brasília

Catedral Metropolitana de Brasília

Arcos da praça da apoteosi, Marquês de Sapucaí

Arcos da praça da Apoteosi, Marquês de Sapucaí

Praça dos três poderes

Praça dos três poderes

Palácio do Planalto

Palácio do Planalto

Palácio do Itamaraty

Palácio do Itamaraty

MAC, Museu de Arte Contemporânea, Rio de Janeiro

MAC, Museu de Arte Contemporânea, Rio de Janeiro

Igreja da Pampulha, uma obra muito relevante no início da carreira de Niemeyer

Igreja da Pampulha, uma obra muito relevante no início da carreira de Niemeyer

Palácio da Justiça

Palácio da Justiça

Esplanada dos Ministérios

Esplanada dos Ministérios

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