Como cobrar por projetos (arquitetônico, elétrico, incêndio, hidrossanitário, estrutural)

Uma das maiores dúvidas, principalmente para quem está iniciando no mercado de Arquitetura, Engenharia ou como projetista é como e quando cobrar pelos seus serviços.

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        Culturalmente ainda há uma grande desvantagem desses profissionais em relação a profissionais de outras áreas como Direito, Medicina e Odontologia. Isso porque para uma breve consulta de meia hora, ninguém costuma questionar o valor cobrado pelo médico, ou se está com dor de dente, não reclama se precisa pagar ao dentista. Da mesma forma o advogado costuma cobrar pela “conversa” com o cliente através da consulta e também cobra seus honorários pelos serviços prestados.
Até aí tudo certo, afinal todos esses profissionais estudaram, se dedicaram e estão cobrando justamente pelos serviços oferecidos e pela competência em resolver os problemas alheios. Então, por que um profissional de Engenharia ou Arquitetura não consegue ter essa mesma postura? Por que muitos profissionais estão praticamente pagando para trabalhar? Primeiro porque é necessária uma mudança de postura: seu trabalho é tão importante quanto o de profissionais de outras áreas. Para justificar isso ao seu cliente basta lembrá-lo dos exemplos acima: “Quando o senhor vai ao médico não paga consulta?”
Segundo, porque os profissionais costumam nivelar seus preços por baixo, principalmente os iniciantes, esquecendo-se de que é preciso fazer um cálculo dos custos fixos de operação, para só então conseguirem ter saúde financeira.

Cálculo de preço

Existem várias formas de cobrar por um projeto. Este artigo não se propõe a dizer exatamente quanto você deve cobrar pelo seu, mas como pode chegar a um valor justo, razoável e principalmente que atinja aos seus objetivos pessoais e profissionais.

Uma das formas de cobrar por um projeto é por metro quadrado. Talvez essa seja a forma mais popular de cobrança entre os profissionais da área. Pesquisas mostram que o valor do m² de Projeto Arquitetônicopode variar entre 30 e 60 reais em grandes centros, enquanto em cidades pequenas esse valor gira em torno de 20 a 40 reais. Portanto, o valor cobrado depende muito da cidade onde você atua, e também da cidade onde seu cliente está. Afinal, você pode estar no interior mas atender clientes da capital, acostumados a um preço maior (e aí vale uma pesquisa de mercado). O grande cuidado que se deve tomar com este método é saber o grau de detalhamento do projeto. Nem sempre um projeto de 100m² vai custar 20 reais o m², depende se é um projeto de uma casa, um consultório ou um galpão.
Baseados ainda no m² podemos dizer que os projetos complementares, em média, seguem a seguinte regra em relação ao preço do Arquitetônico:  60% do valor do projeto arquitetônico pode ser cobrado no projeto estrutural e 50% do valor do Arquitetônico para os demais projetos (elétrico, incêndio, hidrossanitário).
Alguns profissionais costumam cobrar o projeto por uma porcentagem do valor final da obra. Para saber o valor final da obra calculamos o valor do CUB/m² e é necessário sabermos o valor do CUB (Custo Unitário Básico) vigente no mês na região onde atuamos, pois ele é variável. Por exemplo: o CUB Residencial Unifamiliar do estado de Santa Catarina, em novembro de 2014 está R$ 1.523,92 para um padrão de acabamento normal. Sendo assim, uma obra residencial de 100m² custaria em torno de R$ 152.392,00. Deste valor poderíamos cobrar de 7 a 12% para o Projeto Arquitetônico. Este método exige mais cálculos e o acompanhamento de perto dos valores das tabelas do CUB que variam de acordo com o tipo de construção, tipo de acabamento e o estado onde se encontra a obra.

Profissional autônomo x profissional assalariado

Por último, outra forma de cobrar por projetos seria calcular qual o seu valor profissional por hora trabalhada (também chamado de hora técnica). Dizer ao seu cliente que você cobra X por hora trabalhada é algo complicado, então uma alternativa é estimar quantas horas você gastará para fazer o projeto e fazer um pacote com preço final. Os profissionais com menos experiência podem ter um pouco de dificuldade em estimar o tempo que levariam para fazer um determinado serviço, mas com um pouco de treino é possível estabelecer quantas horas leva para fazer uma planta baixa ou um corte. Junta-se a isso o tempo de criação,o tempo de reuniões, visitas ao local da obra, visitas à órgãos que emitem documentação (prefeitura, secretarias, cartórios), tempo para fazer imagens ou renderizações, enfim, todas as horas reais gastas desde a reunião inicial, passando pela concepção até a entrega do projeto.

Ao formar o preço da hora trabalhada, você pode tomar como base o salário de um profissional empregado, sem esquecer claro que há adicionais, como férias, 13º salário, seguro desemprego e FGTS (incluindo multa rescisória de 40% em caso de demissão sem justa causa). Além disso, um profissional com vínculo empregatício tem amparo da Previdência Social e não deixa de ser remunerado caso não consiga trabalhar por motivo de doença. Sendo assim, se o salário mínimo profissional de um Engenheiro, segundo o CREA é de 8,5 salários mínimos, para 8 horas diárias, então ele recebe, em média, R$38,46 por hora, considerando-se as 160 horas mensais.
Então devo cobrar este valor por hora como autônomo? Não necessariamente! Você na condição de autônomo nunca deve igualar o seu preço ao de um trabalhador assalariado, pelos motivos que já citamos. Até aqui, falamos apenas de direitos no que diz respeito à legislação trabalhista, sem considerar que um profissional autônomo tem outros custos fixos como manutenção e depreciação de equipamento, gastos com tinta e material de escritório, energia elétrica, aluguel, telefone, etc. Um profissional na condição de empregado não tem que se preocupar com este tipo de gastos, mas eles acabam pesando para um profissional autônomo.
Não estamos aqui dizendo que é melhor ser assalariado do que autônomo, afinal existem muitas vantagens em ser empreendedor de sua própria carreira. O que estamos considerando é que os custos fixos implicam em se cobrar melhor do que os hipotéticos R$38,46 por hora que estipula o CREA. Mas isso também é variável de região para região e depende do mercado em que você atua. Para alguns, esse números podem parecer astronômicos, para outros está na média. Embora as entidades de classe regulem o valor do salário mínimo profissional de Arquitetos e Engenheiros, sabemos que, em muitos casos, esta não é a prática de mercado.

Fonte: Por Ana Carolina Moura Cardoso – Arquiteta e Urbanista, conteúdo exclusivo da EW7.

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