Canal do Panamá

panamaEmbarcações mais altas que muitos edifícios de grandes metrópoles mundiais, transportando cargas enormes e caras, com prazos a cumprir, tudo isso sobre um canal estreito. Atualmente isso é motivo de congestionamentos preocupantes em uma das rotas marítimas economicamente mais fortes e mais movimentadas. Cerca de 200 milhões de toneladas de mercadoria passam pelo canal do Panamá, que corta a América Central, ligando os oceanos Pacífico e Atlântico. O canal é, desde sua construção, uma passagem muito eficiente, evitando, assim, que embarcações da América ocidental fizessem a volta na América do Sul para partir para a Europa, economizando, assim, muito tempo (o trajeto inicial seria de 4 semanas, com a criação do canal foi encurtado para até 10 horas), ou seja, dinheiro. Mesmo que para isso, fosse necessário desembolsar até 250 mil dólares por dia de passagem. Com um total de 136 km, o canal corta o país inteiro, que tem sua economia baseada nesse canal, construído por investimento inicialmente francês, em 1904 os EUA assumiram o projeto, construindo a maior parte do canal.

canal eclusasA travessia no canal do Panamá é muito engenhosa e, é claro, enfrenta vários problemas. Afinal, erguer navios 25m através somente com água não é tão simples. O canal funciona por um sistema de eclusas e potentes locomotivas que direcionam o navio nessas eclusas. Com duas faixas, cada uma delas apresenta três eclusas estreitas que levantam os navios em cada lado das comportas. Ademais, entre as eclusas, as embarcações atravessam o Lago Gatún e, por fim, a falha de Gaillard. Cada uma das eclusas tem 300 m, aproximadamente, de comprimento – as maiores do mundo, na época da construção -, contudo, os chamados panamáx – embarcações máximas que o canal comporta – utiliza-as até os limites, sobrando, às vezes, 5 m no comprimento e até 43 cm em cada uma das bordas do canal. Para encaixar o navio na eclusa, primeiramente são amarradas cordas no navio e nas locomotivas – locomotivas essas capazes de puxar 35 toneladas cada – e depois cabos de aço, que são puxados pelos até 8 automotores que direcionam a embarcação de acordo com a tensão que os cabos estão sujeitos nas locomotivas de uma margem em relação as do outro lado, funcionando como vetores, que quando as locomotivas de uma margem apertam os cabos, geram tração maior para esse lado, fazendo o navio mudar suavemente de direção, e controlando, também, a velocidade da embarcação. Quando alocados os panamáx nas eclusas, entre uma comporta e outra há diferença entre os níveis d’água. Desse modo, para aumentar o nível da água, válvulas são liberadas no fundo do canal, assim, 98 milhões de litros d’água descem da eclusa superior para a inferior, pela ação da gravidade, sem a ajuda de bombas, nivelando, então as duas eclusas, sendo, então, aberta a comporta, possibilitando a passagem da embarcação para a próxima eclusa. A barragem de Gatún abastece todo o canal do Panamá, que está localizada a 25 m acima do nível do mar, por isso a água chega naturalmente às eclusas, sendo, então possível sempre trabalhar com essas grandes quantidades de água. Devido ao canal ser estreito, muitos navios passam muito próximos uns dos outros, podendo causar colisões catastróficas, causando congestionamentos quilométricos e afundando as embarcações. Isso pode ocorrer, pois navios grandes deslocam uma grande quantidade de água ao mover-se, afluindo, assim, água no rastro que é deixado, criando como se fosse uma retro-sucção muito forte, que é capaz de deslocar proas de navios que estão próximos para a popa dessa embarcação.

            Após trechos extremamente estreitos, existe o Lago Gatun, onde há espaço para panamáx’s se encontrarem frente a frente. No panamá 8 meses do ano são períodos chuvosos, provocando uma baixa visibilidade, assim, mesmo com bóias que indicam o caminho no lago, são necessários aparelhos GPS para guiar as embarcações e evitar colisões nesse período.

falha canal panamaPor fim, o trecho entre o lago Gatún e as eclusas do Pacífico é chamado de “a falha” e possui curvas acentuadas e é demasiadamente estreito. Com o fundo e suas encostas compostas por rochas, qualquer colisão pode implicar inundações, afundando parcialmente o navio. Esse trecho é chamado de “a falha” porque está situado entre duas placas tectônicas em constante atividade geológica, gerando instabilidade na rocha matriz que compõe o solo, desse modo, toneladas de solo das encostas, todos os anos, caem para a falha tectônica, sendo então, necessárias dragas para manter a passagem aberta, removendo todo o entulho gerado pela falha.

Entretanto, com o aumento de mercado e de tecnologias cada vez mais rápido, o canal já não consegue satisfazer todas as exigências do século XXI, com embarcações cada vez maiores, algumas delas não conseguem passar pelo canal, ou passam diante muita dificuldade. Ainda, o canal não consegue atender, por completo, a demanda não só pelo tamanho dos navios, mas pela quantidade deles, visto que na sua criação, em 1914, mil navios passavam, e hoje, esse número é de 14 mil, gerando comumente congestionamentos e, consequentemente, atrasos. Isso provoca, então, às embarcações optarem por rotas diferentes, como o Canal de Suez, no Egito, que liga a Ásia à costa oriental dos EUA e comporta navios de porte maiores do que os que o canal do Panamá pode comportar atualmente, e é mais largo, proporcionando, assim, menos congestionamentos, apesar de ser uma rota mais longa. Diante disso, iniciou-se o processo de ampliação do canal do Panamá, adaptando, assim, o canal para as super embarcações da nova geração da engenharia naval. Orçada em 5 bilhões de dólares, o projeto de ampliação ambiciona um terceiro conjunto de eclusas, com o dobro da capacidade de água e com mais de 1300 m de comprimento, o que duplicaria a capacidade – que está saturada – do canal. Consequentemente, o alargamento da falha também será dado, e de três fases. Primeiramente endireitando as margens, por meio de explosivos nas encostas, provocando um “desabamento” do solo e retirando esse entulho. Após isso, aumenta-se a profundidade. Para isso, utiliza-se a maior plataforma de perfuração do mundo, que mergulha e perfura a rocha mais 9 m abaixo, e então são colocados na perfuração explosivos pulverizando 2500 m³ de rocha. Para o alargamento, a mesma draga de profundidade utilizada anteriormente é, também, utilizada aqui, com o fito de retirar todo o solo gerado pelos explosivos nas fases anteriores, escavando para, finalmente, alargar o canal.

canal  panama

O canal atualmente ainda é o mais trafegado do mundo, contudo, as exigências da sociedade moderna aumentam cada vez mais, e, mesmo o canal mais conhecido e importante do mundo precisa se adaptar a elas. Concomitante a isso, a engenharia precisa avançar e os engenheiros cada vez mais aptos a resolver problemas com quais eles nunca se depararam, afinal, o ser engenheiro pode se resumir à capacidade de criar soluções para diversos problemas.

Fonte: O autor

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