Soluções construtivas que alavancaram a produtividade em obras.

Nos últimos anos, em praticamente todas as capitais brasileiras, em decorrência de diversos fatores, o volume de obras públicas e privadas de construção civil aumentou bastante. Nesse contexto em que o mercado da Construção Civil se encontra aquecido é que se faz emergente o surgimento e aplicação de novas tecnologias as quais configurem o máximo de produtividade ao processo construtivo.

Embora seja de extrema importância adotar tecnologias as quais proporcionem maior produtividade a uma obra, é importante que o Engenheiro gestor da mesma não somente aplique tecnologias aleatoriamente, mas realize, na etapa do planejamento, um estudo de viabilidade, verificando fatores como: mão de obra necessária, gastos empregados, fornecimento de materiais, estrutura do canteiro e os impactos ambientais, além de comparar a nova tecnologia a soluções alternativas.

Na prática, não adianta implantar um sistema construtivo se, por exemplo, na cidade em que se está ocorrendo a obra não vai haver mão de obra nem material necessário para a execução deste, o sistema adotado não é o mais econômico, o canteiro da obra não comporta o sistema, ou mesmo se a nova tecnologia causará sérios impactos ao meio ambiente. Assim, no planejamento da obra é que devem ser realizadas as tomadas de decisões por meio de um estudo amplamente apurado com o fito de que a obra se beneficie totalmente da tecnologia e o impacto da mesma não seja contrário ao esperado.

Tendo tais parâmetros analisados, a solução construtiva aplicada terá grande possibilidade de ser produtivamente elevada, economicamente viável e ecologicamente sustentável

Assim, conheça agora soluções que alavancaram a produtividade em canteiros de obras em diversas cidades brasileiras.

Contrapiso autonivelante

O uso do contrapiso autonivelante nas obras da construtora Cameron já é consolidado. O edifício Felicitá, por exemplo, já é o quarto empreendimento em que a empresa adota o sistema. A escolha, segundo o gerente de planejamento e controle da empresa, Marcelo Hissa, foi feita principalmente por conta dos prazos. “O sistema tem uma produtividade bem maior em comparação com o contrapiso comum. Isso nos possibilita um ganho de tempo crucial para o cumprimento dos prazos.” De acordo com os levantamentos feitos pela empresa, o serviço é em torno de 30% a 50% mais rápido que o sistema convencional.

A argamassa, que contém aditivo plastificante, é autoadensável e dispensa a necessidade de espalhar o material com a régua para regularizar o contrapiso. Hissa explica ainda que, com o sistema, é possível trabalhar com menos operário e a mão de obra pode ser até menos qualificada. Isso porque o controle na execução é basicamente o das mestras para que o piso da laje não fique desnivelado. Apesar de a matéria-prima ser mais cara, a tecnologia gera uma redução nos custos da obra de 10% a 20%, já que demanda menos mão de obra (no contrapiso convencional, exige-se uma equipe de pelo menos três funcionários) e é executada em um tempo menor, pois a cura também acontece em menos tempo. A liberação para a execução de outros serviços ou para o uso do ambiente ocorre no máximo em 24 horas, contra os 14 dias necessários para a liberação dos pisos cimentícios convencionais.

Para incorporar a técnica, a construtora fez um pavimento modelo a fim de entender como o sistema funcionava. A primeira obra feita com o contrapiso autonivelante contou com a ajuda de uma empresa qualificada. A partir daí, a construtora já passou a utilizar mão de obra própria. “Isso inclusive mudou nossa sequência executiva: antes subíamos a estrutura, elevávamos as alvenarias externas e internas e só depois fazíamos o contrapiso. Hoje nós executamos somente as alvenarias externas e já soltamos o contrapiso em toda a laje. A produtividade aumenta ainda mais”, garante Hissa.

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Obra:Felicitá
Cidade: Fortaleza
Construtora: Cameron
Ano da obra: 2014
Mão de obra: Própria
Fornecedor do aditivo plastificante: Vedacit

Gesso projetado

A escolha pelo sistema de projeção de gesso na construção do Artlife Design foi motivada principalmente pelo cronograma. A obra, que começou a ser realizada por uma empresa parceira, já estava em andamento e com os prazos atrasados. “Com o sistema de projeção, conseguimos uma produtividade cerca de 30% maior. Isso pode ter encurtado o prazo dessa etapa em pelo menos 60 dias”, estima Vitor Ribeiro Valle, gerente de engenharia da Tecnisa. Diferente do que ocorre com a projeção de argamassas em fachadas, viabilizar o sistema em uma obra é mais simples. Além de não dependerem de um equipamento de movimentação vertical, as máquinas são pequenas e podem ser alocadas em qualquer ambiente mais próximo da aplicação final.

A principal desvantagem, em princípio, é o custo. Em comparação com o gesso liso, Valle estima que o sistema seja cerca de 30% mais caro. No Artlife Design, como as obras estavam sendo tocadas por outra empresa, os custos foram ainda mais altos. “Devido às irregularidades nas paredes, tivemos uma sobre-espessura e chegamos a gastar algo em torno de 40% a mais do que gastaríamos com o gesso liso, mas compensamos isso com redução de prazo e de mão de obra”, comenta o gerente. Em contrapartida, o gesso projetado alcança um acabamento melhor, já que suas propriedades estendem o tempo de trabalho em comparação com o liso, além de economizar em massa corrida na hora da pintura.

O acabamento manual, por endurecer mais rápido, é mais propenso a empenar na parede na hora do sarrafeamento. Para executar a projeção, Valle ressalta que a mão de obra precisa ser mais qualificada. “Quanto mais rápido é o processo, melhor precisa ser o preparo em obra para evitar retornos. Quando temos de fazer um arremate que ficou para trás, o operário consegue voltar com um pouco de gesso no saco e resolver o problema. Com a projeção, isso já não é tão simples”, explica Valle. O gerente lembra ainda que encontrar empresas qualificadas para a execução também é mais complicado. “No começo da obra, tivemos grandes problemas com rotatividade até que conseguíssemos montar uma equipe com uma empresa terceirizada.”

Obra: Artlife Design
Cidade: Águas Claras (DF)
Construtora: Tecnisa
Ano da obra: 2014
Mão de obra: Proserv
Fornecedor do gesso: Gessos Especiais

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Pórticos rolantes e gruas

Os pórticos rolantes são indicados para obras situadas em terrenos estreitos e com restrição de tráfego (carga e descarga), como era o caso da obra Vila Olímpia Corporate, em São Paulo. O emprego da tecnologia favoreceu a descarga rápida dos materiais sem elevar significativamente os níveis de ruído, o que era importante em função do horário em que acontecia a operação, sempre após as 22h00. “Ao mecanizar a descarga com os pórticos, conseguimos rapidez e pudemos eliminar a mão de obra de menor qualificação”, afirma Luís Marcelo Roque, gerente de obras da Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR). Foram utilizados dois tipos de pórticos rolantes. Um deles com 8 m de largura e capacidade para movimentar até 3 t sobre rodas. O outro, com 7 m de largura, 6 m de altura, e capacidade para 8 t, se movimentava sobre trilhos de 17 m de comprimento e transportava elementos pré-moldados e paletes de materiais.

As gruas basculantes também foram incorporadas à obra como forma de atender à legislação da cidade de São Paulo, em vigor desde dezembro de 2010, que limita a projeção máxima da lança para fora do terreno da obra em até 10 m. “Como necessitávamos de comprimentos de lança de 50 m e o terreno era muito estreito, adotamos a grua basculante, que permite grandes comprimentos de lança que é elevada no momento do giro, impedindo que as cargas ou mesmo o contrapeso passem sobre ruas ou vizinhança”, justifica Alexandre Gomes Azevedo, engenheiro de produção da OR. “Se não tivéssemos este equipamento no Brasil, seria necessária a instalação de duas gruas na torre”, finaliza Fernanda Amaral Gurgel Kupper, engenheira de produção da OR.

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Obra: Vila Olímpia Corporate
Cidade: São Paulo
Incorporadora e construtora: OdebrechtRealizações Imobiliárias
Ano da obra: 2013
Mão de obra: Grumont (grua basculante), Climber e Alphatec (pórtico rolante)
Equipamentos: Grumont (grua basculante), Climber e Demag (pórtico rolante)

Argamassa projetada

Viabilizar o revestimento externo de um empreendimento com argamassa projetada, principalmente por meio das bombas de projeção, não é simples. A logística do canteiro precisa estar preparada para receber o equipamento. Isso envolve desde meios de transporte verticais adequados, como as cremalheiras e andaimes fixos, até centrais de energia e de abastecimento capazes de atender à alta demanda do sistema de projeção. Apesar das dificuldades na viabilização, a BLW Construtora e Incorporadora já incorporou a solução em suas obras. O perfil dos empreendimentos que constrói ajudou na adoção do sistema, já que os prédios não costumam ter mais que oito andares, o que permite a locação de andaimes fixos que facilitam a locomoção dos operários durante a execução do emboço. Foi o que aconteceu no edifício Orion, de apenas cinco andares. “Para ganhar mais tempo, optamos pela montagem dos andaimes ao redor de todo prédio. Assim, enquanto uma equipe fazia as mestras em uma face do edifício, outra já estava projetando e adiantando o processo”, explica RomiltonCioletti, gerente de projetos da construtora.

A diminuição do desgaste das equipes causado pelos processos artesanais das atividades da construção civil e a redução de prazo foram os principais motivos pela escolha do processo. “Eu gastaria, em média, 45 dias para fazer uma fachada utilizando o método tradicional, ou seja, chapando a massa com a mão, contando com cinco operários. Com a projeção, fizemos o revestimento em sete dias utilizando a mesma quantidade de mão de obra. A diminuição dos custos com locação de andaime e com pagamento de funcionários é um ganho significativo para a obra”, explica Cioletti

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Obra: Edifício Orion
Cidade: Belo Horizonte
Construtora: BLW Construtora e Incorporadora
Ano da obra: 2014
Fornecedor da argamassa: Lafarge

Armaduras prontas e escoramento rápido


A Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) apostou em duas soluções para agilizar a execução da estrutura do edifício Biografia Vila Mariana, em São Paulo, composta por lajes nervuradas com cubetas nos primeiros grandes andares, e lajes maciças nos pavimentos-tipo. Uma delas foi a opção pelo emprego do aço pronto – que chegava cortado, dobrado e etiquetado com as indicações do seu posicionamento nos pilares, vigas, armações de laje etc. – para aumentar a produtividade na montagem da armadura e reduzir o desperdício de material. “Também fizemos, juntamente com o calculista, uma reformulação na armação da laje para que pudéssemos substituir as barras retas intercaladas por telas de aço soldado com diâmetros diversos que atendessem às necessidades estruturais”, explica o engenheiro Wellington Longo, gerente gestor de construção da OR. “O serviço de colocar a barra reta nas lajes, entrelaçá-las e pontear com arame tornou-se desnecessário, já que as telas chegavam à obra soldadas em panos de larguras variáveis, nas medidas especificadas pelo calculista. Com isso, reduzimos a mão de obra direta e a perda de material, e aumentamos a velocidade de produção na etapa de armação da laje”, diz Longo.

A outra solução foi o emprego de um sistema de escoramento modular composto por vigas em alumínio e escora com cabeça de caída (drophead). Segundo Longo, a leveza das peças e a sua identificação por cores, de acordo com o projeto de montagem, facilitaram o entendimento e o trabalho dos carpinteiros na montagem. Transportadas por meio de paletes com rodízio, as peças dispõem de travamento simples, o que, de acordo com o engenheiro, facilita a montagem e desmontagem do sistema. “Em um dia, com seis carpinteiros, pudemos montar e assoalhar uma laje de aproximadamente 700 m²”, finaliza Longo.

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Obra:Biografia Vila Mariana
Cidade: São Paulo
Construtora: Odebrecht Realizações Imobiliárias
Ano da obra: 2014
Mão de obra e execução: Hexa Engenharia
Aço pronto cortado e dobrado: Gerdau
Escoramento: Titan Formwork Systems/Oeste Fôrmas

Mesas voadoras

As lajes dos edifícios residenciais do condomínio Liberdade 1, em Porto Alegre, foram executadas por meio de mesas voadoras, sistema de fôrmas que também atua como escoramento, ideal para obras com processos repetitivos verticais e horizontais. “A movimentação adequada e eficiente das mesas depende da inexistência de vigas ou do menor número possível delas”, alerta o engenheiro Lauro Ladeia, da OAS. A tecnologia agregou à obra rapidez e menor geração de resíduos, mas foi escolhida, sobretudo, em função da escassez da mão de obra local. “Comparada ao sistema convencional, a mesa voadora reduz em 30% a mão de obra necessária para a execução da estrutura”, diz Ladeia. O engenheiro explica que tecnologia viabiliza a montagem de 80% do assoalho da laje em apenas um dia. “No dia seguinte já conseguimos concluir o arremate das mesas, com a fôrma e o escoramento totalmente executados”, acrescenta o engenheiro. O sistema de execução da estrutura industrializada foi associado ao uso dos painéis arquitetônicos prémoldados para agilizar ainda mais a obra. De acordo com Ladeia, a mesa possibilitou um ciclo de até cinco dias para concretagem de cada laje e um ganho de 35 dias na execução da estrutura de cada torre.

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Obra:Condomínio residencial Liberdade 1 – Torres Alta Vista, Bella Vista e Gran Vista
Cidade: Porto Alegre
Construtora: OAS Empreendimentos
Ano da obra: 2013
Mão de obra e execução: MeritEngenharia
Fornecedor do equipamento: Mills

Pintura airless

Redução nos prazos de execução e economia com mão de obra foram condicionantes de escolha pela pintura pulverizada nas obras da construtora MBigucci. Apesar dos custos mais altos com a contratação de uma equipe qualificada, os ganhos vêm com a produtividade, segundo a empresa. A média de funcionários para a execução da pintura com a pulverizadora pode ser reduzida à metade (veja o comparativo na tabela), explica Leandro Caruso, coordenador de obras da construtora. De acordo com ele, a redução nos prazos só na execução do serviço varia de acordo com o tamanho do apartamento e com a quantidade de itens a serem protegidos, como caixilharia, bancadas e louças. “Mas, em média, a produtividade pode ser aumentada em pelo menos o dobro”. Além disso, desperdiça-se menos material se comparado à pintura convencional com o rolo. Caruso conta que, com o método manual, o operário não consegue uniformizar o local de aplicação. “Ele acaba tendo de passar o rolo no mesmo local mais de uma vez para fazer arremates, o que não acontece com a pistola.”

A construtora consegue reduzir ainda mais o prazo de execução da pintura com a utilização da lixadeira elétrica, sem contar que o sistema também pode reduzir o efetivo. “Hoje, com a dificuldade de mão de obra, é complicado conseguir um número grande de funcionários; geralmente as empresas acabam executando os serviços com um número menor de colaboradores e em um período maior, o que pode ocasionar um atraso nas obras”, conta Caruso. Um planejamento benfeito e o uso de técnicas diferenciadas, como a pintura airless, acaba equacionando a questão.

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Obra:UpMBigucci
Cidade: São Bernardo do Campo (SP)
Construtora: MBigucci
Ano da obra: 2013
Mão de obra: Acte Pinturas
Fornecedor do equipamento: Neomak

Dados: Revista Téchne

Fonte: O autor

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Um comentário sobre “Soluções construtivas que alavancaram a produtividade em obras.

  1. Eu executei uma obra com mesas voadoras em 2012, em cachoeiro de Itapemirim – ES.
    É um sistema de formas bastante rápido, econômico e com pouca mão de obra.

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