Chuvas: problemas e soluções

O PROBLEMA

Como se sabe, as enchentes urbanas são causadas principalmente pela incapacidade das cidades em reter as águas provenientes da chuva.Essa incapacidade é ocasionada pelo fato de que a impermeabilização generalizada da superfície dos centro urbanos faz com que sejam lançados sobre o sistema de drenagem crescentes volumes de água, e esse sistema não lhes consegue dar a devida vazão. Acresça-se a isso o fato de que o excesso de córregos canalizados e o intenso assoreamento por sedimentos, lixo e entulho que atinge todo o sistema de drenagem urbana só fazem agravar esse problema.

O sistema de drenagem é o principal meio de escoamento de água da chuva. Sem um bom sistema de drenagem, as chuvas podem causar sérios danos à população. Alagamentos, enxurradas, aumento da transmissão de doenças e perdas materiais.

650x375_alagamento-na-rua-rio-amazonas-em-brotas-atrapalha-o-transito_1597464

Segundo informou o engenheiro civil e professor do Instituto Militar de Engenharia (IME), Francisco José d’ Almeida Diogo, as autoridades brasileiras não têm a verdadeira dimensão dos problemas causados pelas chuvas. “Dizemos que o Brasil é abençoado por não ter terremoto e vulcão, mas às vezes os danos das chuvas são até maiores”, afirmou. Além disso, Francisco Diogo frisou a deficiência dos investimentos na área de drenagem no Brasil. “Apenas 13% das verbas destinadas à prevenção de catástrofes relacionadas às chuvas foram utilizadas. Isso é decorrente da burocracia que exige projetos detalhados, mas não disponibiliza técnicos para os municípios fazerem os projetos”, afirmou.

AS SOLUÇÕES

Como forma de amenizar esse problema, existem diversos dispositivos que visam o aumento da retenção das águas da chuva (aumento da infiltração), como calçadas e sarjetas drenantes, pátios e estacionamentos drenantes, valetas, trincheiras e poços drenantes, reservatórios para acumulação de águas de chuva, multiplicação dos bosques florestados na cidade etc. Todos essas alternativas são válidas e devem ser adotados, já que será o somatório de seus resultados que propiciará os resultados hidrológicos esperados. Porém, dentre várias alternativas, os reservatórios de acumulação destacam-se por sua capacidade de rápida resposta hidrológica.

Em uma cidade devem ser consideradas, por exemplo, a existência de diferentes permeabilidades naturais dos solos, de diferentes graus de compactação desses solos, a existência de lajes superiores de garagens subterrâneas a baixa profundidade, ou seja, diversos fatores que implicam em consideráveis reduções do volume de água realmente retido e infiltrado.

COMBATE À EROSÃO

“De imediato, é necessário que se faça uma redução máxima do assoreamento das drenagens naturais. Para isso, é preciso que seja mais rigoroso e extensivo o combate à erosão do solo e ao lançamento irregular de lixo urbano e entulho de construção civil”, diz Álvaro Rodrigues dos Santos, geólogo e ex-diretor de Planejamento e Gestão do Instituto de Pesquisa e Tecnologia (IPT). Segundo Santos, na região metropolitana de São Paulo, a perda média de solos por erosão está estimada entre 10 a 15 toneladas de solo por hectare, ao ano. Ele explica que o resultado são 3.570.000 m³/ano de sedimentos, o correspondente a 250 mil caminhões.

COMBATE À IMPERMEABILIZAÇÃO

Os centro urbanos desenvolveram-se sob a cultura da impermeabilização. É preciso recuperar a capacidade de infiltração e retenção de águas pluviais em toda a área urbanizada, completa Santos. O geólogo cita a criação de reservatórios domésticos e empresariais, assim como a ampliação de áreas verdes nas cidades. Outra alternativa para atingir esse objetivo é o uso de materiais mais permeáveis, como por exemplo o uso de um concreto mais poroso na pavimentação do solo. Cada centímetro que se impermeabiliza tem reflexo no escoamento da água e na consequente cheia de rios e inundações.

OS RESERVATÓRIOS

Como o geólogo Álvaro Santos afirmou, uma alternativa para essa problemática são os reservatórios de acumulação domésticos e empresariais. Esses reservatórios são muito mais eficiente no objetivo de combater as enchentes do que simplesmente desobstruir alguns córregos. Esses dispositivos de acumulação imediata de águas da chuva visam não só o acúmulo de água, mas também o seu acesso aos lençóis subterrâneos. Em sua aplicação, determinadas parcelas da água retida infiltrarão no solo com o objetivo de abastecer o já escasso lençol freático urbano.

Partindo dessa premissa, engenheiros civis da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveram um projeto amplo de estudo e elaboração de uso eficiente da água da chuva. Esse projeto visa, entre outros objetivos, elaborar metodologias que possam ser usadas pela construção civil para impedir o acúmulo excessivo de água nas cidades. O projeto “Estruturas de infiltração da água da chuva como meio de prevenção de inundações e erosões” originou duas cartilhas educativas, uma sobre erosão e a outra sobre infiltração. No material, são apresentadas várias soluções que podem ser adotadas em casas, prédios, condomínios e cidades, em certos casos utilizando até recursos simples como: garrafas PET, brita, areia e tubos. (veja abaixo).

a1

 

Autor: Esaú Lopes

Fontes:

Instituto de Engenharia

IBDA

Último Segundo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s