Grandes Projetos: Transposição do Rio São Francisco

O Rio São Francisco, em uma breve história, é um dos mais importantes cursos d’água do Brasil e da América do Sul. O rio passa por 5 estados e 521 municípios, sendo sua nascente geográfica no município de Medeiros e sua nascente histórica na serra da Canastra, no município de São Roque de Minas, centro-oeste de Minas Gerais. Seu percurso atravessa o estado da Bahia, fazendo sua divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas e, por fim, deságua no oceano Atlântico, drenando uma área de aproximadamente 641 000 km². Seu comprimento medido a partir da nascente histórica é de 2 814 km, mas chega a 2 863 km quando medido ao longo do trecho geográfico. Seu nome indígena é Opará ou Pirapitinga e também é carinhosamente chamado Velho Chico.

RioSaoFrancisco

O projeto de transposição do Rio São Francisco é um tema bastante polêmico, pois engloba a suposta tentativa de solucionar um problema que há muito afeta as populações do semi-árido brasileiro, a seca; e, ao mesmo tempo, trata-se de um projeto delicado do ponto de vista ambiental, pois irá afetar um dos rios mais importantes do Brasil, tanto pela sua extensão e importância na manutenção da biodiversidade, quanto pela sua utilização em transportes e abastecimento.

O projeto de transposição do São Francisco surgiu com o argumento sanar essa deficiência hídrica na região do Semi-Árido através da transferência de água do rio para abastecimento de açudes e rios menores na região nordeste, diminuindo a seca no período de estiagem.

O projeto é antigo, foi concebido em 1985 pelo extinto DNOS – Departamento Nacional de Obras e Saneamento, sendo, em 1999, transferido para o Ministério da Integração Nacional e acompanhado por vários ministérios desde então, assim como, pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

O projeto prevê a retirada de 26,4m³/s de água (1,4% da vazão da barragem de Sobradinho) que será destinada ao consumo da população urbana de 390 municípios do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

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A Obra

A obra consiste, basicamente, em fazer com que as águas do Rio São Francisco cheguem a outros reservatórios de forma sustentável (ou seja, sem grandes impactos ambientais). Para tanto, a água percorre o trajeto de duas formas: por gravidade (o canal da obra tem uma declive de 3º) ou com a força de estações de bombeamento.

A sustentabilidade da transposição, no entanto, divide opiniões. Movimentos em defesa do rio alegam que o projeto poderia desequilibrar o ecossistema do local. O governo, por sua vez, garante que projetos de revitalização devem compensar possíveis impactos ambientais.

A obra de transposição do Rio São Francisco é dividida em dois eixos: o Norte, que vai do município de Cabrobó (PE) até Cajazeiras (PB) e tem 260 km de extensão, e o Leste, que vai de Floresta (PE) até Monteiro (PB) e tem 217 km. Confira no mapa abaixo mais detalhes sobre cada ponto do projeto:

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Há duas possibilidades para a água do Rio São Francisco chegar aos reservatórios dos Eixos Norte e Leste. Uma delas é por gravidade. Ou seja, a água do rio vai descendo suavemente pelos canais. Caso o terreno seja muito elevado, túneis farão com que a água passe pelo subterrâneo. Caso o terreno seja muito baixo, há duas possibilidades: construir aquedutos ou se utilizar de estações de bombeamento.

Para chegar do Rio São Francisco até a casa dos moradores da região, a água passa por um longo caminho. O vídeo abaixo mostra as etapas do percurso:

1 – A água sai do rio e desce por gravidade até uma estação de bombeamento.

2 – Na estação, ela é elevada e volta aos canais. Lá continua a descer por gravidade.

3 – Para descer sempre no mesmo ritmo, a água passa por aquedutos e túneis subterrâneos.

4 – No meio do caminho, saídas de água vão abastecer diretamente 390 comunidades vizinhas à obra.

5 – A água que continua pelos canais vai para reservatórios. Em alguns casos, será usada também para gerar energia elétrica.

6 – Dos reservatórios, a água deve chegar até as cidades por meio de planos de saneamento básico. Depois de todo esse processo, enfim, chega às torneiras das casas e à agricultura.

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Vantagens

Ele prioriza a distribuição da água pelas barragens, o que nenhum projeto contra seca faz. Dessa maneira, tentar perenizar pequenos riachos, cujo somatório perenizaria grandes rios, sendo, em maior escala, a distribuição da água.

Não é necessário investir de uma só vez em grandes obras. Esse projeto pode e deve ser feito em etapas, escolhendo, primeiramente, os vales onde as barragens teriam o melhor retorno e aproveitando, também, para aperfeiçoar o sistema, aprendendo-se com as falhas e acertos das várias etapas.

Uma melhor e mais justa distribuição espacial da água ofertada; aumento da garantia da oferta hídrica; abastecimento de água para 391 municípios da Região nordeste.

A transposição provocará, a longo prazo, um significativo aumento dos números referentes a emprego e renda na região.

Quase 13 milhões de pessoas que vivem em centros urbanos de diferentes proporções passarão a ser abastecidas de água para consumo diário.

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Desvantagens

O Rio São Francisco está sofrendo muita degradação e com a sua transposição, muita água seria perdida, se evaporaria durante o trajeto. A energia elétrica ficaria mais cara por causa do grande custo da transposição. A pesca seria prejudicada, pois a reprodução dos peixes seria dificultada. Ambientalistas dizem que o projeto causará danos à fauna e à flora da região – e que serão desmatados 430 hectares. A água não chegaria aos mais necessitados, mas sim aos grandes fazendeiros, como tem sido até hoje com todos os projetos no Nordeste.

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O Final da Obra

Com os atrasos, tudo na obra vai ficando mais cara. O custo passou de R$ 4,58 bilhões para R$ 8,2 bilhões e tudo vai ficando cada vez mais desolador. Milhares de hectares de caatinga foram devastados para construção dos canais. O canal por onde começa a transposição ficou pronto, mas só pode ser operado quando as bombas começarem a puxar a água e assim melhorar a vida de 12 milhões de pessoas.

O Ministério da Integração Nacional prometeu entregar a obra de transposição do Rio São Francisco em 2017.

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Fonte:

Loucos por Engenharia

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