Conheça o futuro túnel mais longo da América Latina que vai ligar Chile e Argentina – e ainda terá conexão com o Brasil

Ligar três diferentes países e, como consequência, as oportunidades de negócio entre ambos é um desafio, mas que vai se tornar possível com a criação de um túnel de conexão entre Chile, Argentina e Brasil. Por aqui, a ligação seria com a cidade de Porto Alegre. Já pensou como será a construção de um túnel tão extenso?

O túnel Água Negra foi pensado inicialmente em 1996, como parte do projeto do corredor Bioceânico, ligação entre a cidade de Porto Alegre, no Brasil, a Coquimbo, no Chile. O objetivo era possibilitar uma melhor logística e conexão entre portos localizados em cidades banhadas pelos Oceanos Atlântico e Pacífico. Em 2010, os governos argentinos e chilenos criaram o tratado Binacional Túnel Água Negra (Ebitan) para concretizar a iniciativa.

A licitação do túnel deve ocorrer em outubro desse ano, de acordo com as autoridades argentinas. Mas conhecer quem vai ser o construtor será possível, segundo previsão, a partir do primeiro trimestre de 2018. Este é um dos maiores projetos de integração binacional da América do Sul, que integra dez consórcios com 29 empresas europeias e chinesas disputando a construção.

As vantagens e os custos

O Túnel de Água Negra tem um custo previsto de US$ 1,5 bilhão (equivalente a R$ 4,86 bilhões) e sairá dos cofres dos governos argentino e chileno, contando ainda com o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Autoridades do Chile têm estimado que a obra como um todo poderá ser concluída em um prazo de oito a dez anos. Para o BID, levará oito anos e meio.

Entre as principais vantagens do túnel internacional está o fato de que ele será construído numa altura inferior à da atual passagem fronteiriça da zona conhecida como Paso de Água Negra, entre a Argentina e o Chile. Essa região, atualmente, é pouco utilizada, justamente pelas condições, com estradas até mesmo beirando a declives e penhascos. Afinal, está localizado a 4765 metros acima do nível do mar.

O objetivo é que o túnel tenha então seu funcionamento garantido o ano inteiro, apesar das intensas nevascas do inverno, que muitas vezes impedem a passagem dos veículos – lembrando que isso tudo em meio à Cordilheira dos Andes.

O BID já aprovou um primeiro empréstimo de US$ 40 milhões (que equivale a R$ 129,7 milhões) para o projeto. “Argentina e Chile compartilham uma das fronteiras binacionais mais longas do mundo, que têm um importante obstáculo físico – a Cordilheira dos Andes”, explica a Entidade Binacional Túnel de Água Negra (Ebitan) em seu site.

“É impensável o crescimento do desenvolvimento regional e uma integração física satisfatória desta parte do Cone Sul latino-americano com tão escassas vias de comunicação de boa qualidade”, afirma ainda a instituição.

Os diferenciais

A obra é grandiosa, prevendo a construção de dois túneis paralelos, um de ída e outro de volta, ao longo de 14 quilômetros, com 12 metros de diâmetro e 90 metros separando cada um deles.

Esses túneis terão um moderno sistema de ventilação, passagens de emergência para pedestres e para carros, medidas antissísmicas e cabines para as equipes de socorro nas suas saídas, diferenciais na obra.

O setor argentino corresponderá a 72% de sua extensão e o chileno, 28%. Quando estiver pronto, terá um fluxo diário estimado de 2,2 mil veículos, 70% deles de carga.

Com características únicas – é a sétima em todo o mundo a unir dois países, e ainda com a conexão a um terceiro país – a obra já é considerada a mais importante da América Latina depois da ampliação do Canal do Panamá, concluída em junho do ano passado.


“Ele fica localizado estrategicamente na faixa central dos dois países e foi considerado um investimento de grande prioridade, porque atrai trânsito próprio que não compete com o trânsito eventual de passagens contíguas”, diz a Ebitan.

O novo túnel será o segundo que cruzará a cordilheira. O primeiro é o túnel do Cristo Redentor, localizado na zona central dos dois países, conhecida como Paso Libertadores, ligando os Andes a Mendoza, na Argentina.

Segundo a Ebitan, o novo projeto não compete com o anterior, mas o complementa. Será ou não uma boa de grande porte?

Conheça mais sobre o projeto no vídeo a seguir (em espanhol):

Referências: Ebitan, La Nacion, BBC

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