A engenharia das grandes pirâmides

As pirâmides, construídas em tempos remotíssimos, exercem grande fascínio no homem e estão dentre as estruturas consideradas mais impressionantes existentes. Os motivos para isso são diversos, desde o fato de que os trabalhadores não possuíam o benefício das ferramentas e maquinarias modernas, de elas terem resistido a tantos anos, até o de sua construção perfeita, não sendo se introduzir nem mesmo uma folha de papel entre os blocos de pedra, tamanha a perfeição de sua sobreposição.

Definidas pela Geometria Espacial como sólidos geométricos com base quadrada e quatro lados triangulares equilaterais, as pirâmides têm um formato mais estruturalmente estável, o que as torna uma boa opção para projetos que envolvem grandes quantidades de pedra ou de alvenaria. Sabe-se que, de fato, as antigas pirâmides foram construídas com blocos de pedra que chegavam a pesar até duas toneladas e sua execução podia durar de décadas a centenas de anos.

Apesar de existirem em várias partes do mundo, de diversos tamanhos e complexidades, quando se fala de pirâmides, o Egito é logo lembrado. Lá, com o objetivo de abrigar e proteger o corpo do faraó mumificado e seus pertences (joias, objetos pessoais e outros bens materiais) dos saqueadores de túmulos, as construções deveriam ser extremamente resistentes, protegidas e de difícil acesso. Por isso, os engenheiros responsáveis planejavam armadilhas e falsos acessos dentro das pirâmides.

Primeira pirâmide em degraus do Egito, em Saqqara, foi concluída em 2620 a.C. pelo faraó Djoser. Ela tinha quatro níveis e uma câmara mortuária subterrânea.

Primeira pirâmide em degraus do Egito, em Saqqara, foi concluída em 2620 a.C. pelo faraó Djoser. Ela tinha quatro níveis e uma câmara mortuária subterrânea.

Antes das grandes estruturas piramidais, as tumbas eram montes de terra que cobriam câmaras mortuárias. Passaram a ser construções planas, em formato de caixa, e, depois, foram acrescentados níveis sobre os topos das caixas, formando pirâmides com degraus. Os egípcios, porém, levaram os projetos a patamares mais altos com a construção do complexo de pirâmides de Gizé, na margem oeste do rio Nilo, no século 26 a.C.

Sem título A Grande Pirâmide de Quéops (Khufu) é a maior e mais bem elaborada que existe, tem 146 metros de altura, uma base quadrada com 230 metros de lado e pesa cerca de 6,5 milhões de toneladas. Para a sua construção, foram utilizados 2,3 milhões de blocos de calcário e granito e eles resistem, até hoje, a milhares de anos à exposição aos elementos da natureza.Sem título

Podemos perceber, pela imagem, as seguintes partes da Pirâmide: a câmara mortuária do rei, que contém a tumba do rei, a câmara mortuária da rainha, que encontra-se abaixo da pirâmide, as câmaras de descarga de peso acima da do rei, que distribuem o peso da pedra acima dela e evitam que a câmara do rei desmorone, a galeria, que é uma grande passagem com um teto abobadado com modilhão e paredes estruturadas em camadas ascendentes, as passagens descendentes e ascendentes que conectam as câmaras umas às outras e ao lado externo, ductos de ar, que ligam a câmara do rei ao ar livre (projetados, provavelmente, por conta da crença de que o espírito do rei pudesse sair dali posteriormente), a entrada, que seria lacrada após a colocação do corpo do faraó, e o acabamento externo feito de pedras de calcário branco, as quais, em sua maioria, já sofreram corrosão com o tempo.

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Ainda na atualidade, como se deu exatamente a construção das pirâmides é um assunto a ser debatido, visto que não foram encontrados registros de planos ou métodos de construção, mas, depois de diversos estudos, algumas ideias foram consolidadas. Consideram-se os seguintes elementos da construção de uma pirâmide: pesquisa e escavação (escolha de um local adequado e preparação da fundação), obtenção dos materiais (extração de pedras das pedreiras) e transporte dos materiais do local da pedreira até a pirâmide.

  1. Pesquisa e escavação

Provavelmente, os egípcios tinham um bom planejamento de modelos da pirâmide e, além disso, desmoronamento e inclinações indesejadas das primeiras construções os levaram a perceber que as fundações eram bem importantes.

Na construção, as laterais da pirâmide sempre eram paralelas aos eixo norte-sul e leste-oeste (não tinham bussolas, mas usavam os movimentos das estrelas ou do sol para se orientarem). Os egípcios usavam como unidades de medida os côvados (comprimento da ponta de um dedo médio ate seu cotovelo) e os palmos (largura de uma mão com o polegar lateral). Primeiramente, cavavam buracos de estacas em intervalos regulares ao longo do relevo da base e planejavam o local em uma grade, depois, escavavam e nivelavam a fundação.

Quanto ao método de nivelamento, não se sabe ao certo como foi feito (eles foram extremamente precisos: o nível da base da pirâmide de Quéops varia menos de dois centímetros), mas as principais teorias são: 1. Os trabalhadores despejavam água dentro do local escavado e nivelavam todo o material acima da linha da água. Depois, baixavam o nível da água e removiam mais material, repetindo o processo. 2. Os construtores instalavam estacas em intervalos regulares. Uma linha, nivelada com pêndulos de prumo, era esticada pelas estacas em um ponto de referencia para assegurar o alinhamento.  Então, eles podiam escavar a fundação abaixo dos pontos de referência.

  1. Materiais de construção

Os principais materiais utilizados na construção das pirâmides eram o calcário, granito, basalto, argamassa e tijolos de barro cozido. Como eles não possuíam ferramentas de ferro, usavam ferramentas de cobre e pedra cortada para recortar os blocos nas pedreiras. Para mover os blocos para fora das pedreiras, eram utilizadas alavancas.

  1. Transporte dos materiais

Também não se sabe ao certo como os blocos de pedra de 2,5 toneladas foram transportados das pedreiras até o local da construção, mas sabe-se que rodas não seriam uteis na areia e no cascalho do deserto, logo, admite-se que eles usavam trenós de madeira e cordas. Eles conectavam os trenós ao bloco e cerca de oito homens os rolavam ao longo do caminho (como se rola um barril de cerveja). O rio Nilo também era bem utilizado para o transporte dos blocos por meio de barcaças. Historiadores estimam que cerca de 300 pedras eram assentadas por dia durante a construção de uma pirâmide, para isso, estudos levam a crer que foram utilizadas rampas, que poderiam ser longas e retas, perpendiculares às laterais ou circulares ao centro.

Fonte: O autor

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