Novas tecnologias aplicadas à segurança do trabalho nos canteiros de obra

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, em todo o mundo, acontecem mais de 60 mil acidentes fatais por ano nos canteiros de obra, o que torna a indústria da construção civil uma das mais perigosas para se trabalhar, sendo ela a responsável por mais de 20% de todas as mortes ocorridas no trabalho em 2014. Neste cenário, além do aprimoramento contínuo das legislações e fiscalizações promovidas pelo poder público, a conscientização dos trabalhadores é peça chave para tornar os canteiros mais seguros.

Neste sentido, merece destaque a recente aplicação de tecnologias de ponta para treinamento, engajamento e acompanhamento dos novos profissionais da área, que sob forte influência do cotidiano cada vez mais digital, apresentam perfil de aprendizado sensivelmente diferente daqueles que entraram no mercado de trabalho da construção nas décadas anteriores.

Um exemplo disto pode ser observado no trabalho dos pesquisadores alemães da Ruhr-Universität Bochum (RUB), que desenvolveram uma plataforma de treinamento utilizando “realidade virtual” para sensibilizar os operários da construção civil em relação aos aspectos de segurança do trabalho nos canteiros de obra. Utilizando Modelagem da Informação da Construção, do inglês – Building Information Model – BIM, conseguem simular, em ambientes virtuais de obra, situações de risco aos operários que são equipados com óculos de “realidade virtual” e um dispositivo de controle para interagir com a plataforma de treinamento.

Vale ressaltar que o processo de “gamificação” do treinamento (o uso de elementos do ambiente de jogos em atividades não relacionadas ao entretenimento), influencia e estimula o engajamento das pessoas, além de facilitar o processo de aprendizagem ao torná-lo mais lúdico e dinâmico. No processo, depois que o operário passa pelos desafios em ambiente virtual, ele é incentivado a contribuir com sugestões para tornar o canteiro mais seguro.

Esta plataforma permite que os operários aprendam, além de lidar com situações de risco, a se familiarizar com o ambiente de trabalho no qual exercerão as suas atividades antes mesmo de sua entrada no canteiro de obras. Além disto, quando há uma modelagem em BIM é possível identificar previamente situações de risco que deverão ser controladas pelas equipes de projeto, planejamento e gestão.

Uso do BIM para identificação de situações de risco aos trabalhadores e ações para mitigá-los no projeto, planejamento e gestão da obra.

Pesquisadores da universidade australiana New South Wales também desenvolveram plataforma para gerar ambientes virtuais de canteiros de obras com o mesmo objetivo de simular situações de risco, as quais estão sendo testadas por empresas australianas e chinesas do segmento da construção, como por exemplo a Gammon Construction em Hong Kong, que reconheceu a redução significativa no tempo de treinamento de seus funcionários com o uso da plataforma.

Simulação de acidente em ambiente virtual, na plataforma utilizada pela Gammon Construction.

A gigante Bechtel, empresa centenária de engenharia norte americana, com projetos em mais de 160 países, juntamente com a startup nova-iorquina Human Condition Safety (HCS) que recebeu investimentos recentes da companhia de seguros AIG, também lançou em setembro de 2016 um programa piloto de treinamentos de segurança baseado na reprodução virtual de ambientes de obra, voltado às equipes que serão submetidas a trabalhos complexos ou com maior risco associado.

Ao longo do tempo, a plataforma será constantemente parametrizada com base no histórico das simulações em ambiente virtual, nas ocorrências de obra e na legislação de segurança e saúde no trabalho, praticamente sem intervenção humana, já que o processo está baseado em conceitos de “inteligência artificial”. Com base nesta atualização dinâmica, a plataforma será capaz de reconhecer as situações de maior risco em cada projeto, a fim de alertar previamente as equipes envolvidas.

Além dos simuladores virtuais, outras inovações tecnológicas aplicadas ao canteiro de obras vêm despontando com foco na saúde e segurança dos trabalhadores, como por exemplo, o uso do conceito da “internet das coisas”. Neste sentido já estão disponíveis tecnologias associadas a dispositivos móveis que alertam os operários em caso de situações de risco, principalmente em obras com fluxo intenso de cargas, cuja movimentação está muitas vezes associada a “pontos cegos” e que aumentam drasticamente as chances de acidentes.

Simulação de sinalizaçâo sonora em situações de risco na movimentação de materiais com o uso do conceito da “internet das coisas”.

A HCS vem trabalhando também neste conceito, oferecendo uma plataforma tecnológica para o controle sistemático de determinadas condições do canteiro, com equipamentos e dispositivos móveis adaptados às vestimentas da equipe de obra, tais como:

* Detectores de campos eletromagnéticos

* Sensores de movimentos repetitivos

* Sensor de intensidade de raios ultravioleta

* Medidor de intensidade sonora

* Chip que permite a geolocalização do operário em relação a áreas de risco

* Modem sem fio para comunicação em tempo real com sistema de análise de risco das condições gerais da obra

A realidade virtual e a “internet das coisas” ainda estão restritas a aplicações específicas na construção civil, contudo elas provavelmente estarão disseminadas nos próximos anos pelos principais projetos de engenharia no mundo, acompanhando a tendência da intensificação da utilização do BIM como ferramenta de projeto, planejamento e controle de obras e de empreendimentos.

Fonte: Blogs Pini – Tecnologia e Sustentabilidade

 

BubbleDeck: As esferas plásticas como sustentabilidade para a construção civil

O sistema BubbleDeck é um método revolucionário de eliminação do volume de concreto de uma laje, que proporciona lajes mais leves e resistentes. Por meio de esferas plásticas entre telas de aço é eliminado o concreto que não exerce qualquer função estrutural, reduzindo significativamente seu peso próprio.

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A História do Concreto

Concreto é um material de construção feito pelo homem que se assemelha a uma pedra. Combinando cimento, agregado graúdo e água obtém-se o concreto. A água permite a fixação e união dos materiais. Diferentes misturas são adicionadas para que o concreto obtenha específicas características. O concreto é geralmente reforçado com o uso de barras de aço, antes de ser lançado nos moldes. De forma interessante, a história do concreto tem as primeiras evidências em Roma, a aproximadamente 2000 anos atrás. Concreto era essencialmente utilizado em aquedutos e estradas em Roma.

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Quais serão as tendências da Engenharia Civil em 2017?

A indústria da construção, que tem participação importante na economia brasileira, também sofreu os efeitos da crise no país. No entanto, muitos empresários e especialistas acreditam que o pior momento já passou. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os investimentos no Brasil voltaram a crescer no segundo semestre de 2016, após dois anos em queda. Muitas construtoras já registram aumento de vendas e a expectativa é que o setor retome o crescimento.

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Arquitetura x Engenharia Civil

Muitas vezes, as pessoas, principalmente para quem não é do setor de construção civil, não sabem diferenciar muito bem as diferenças de atuação dos profissionais de arquitetura e engenharia civil. É bem comum ouvir frases: “Para que engenheiro se eu já tenho o projeto?” ou “Esses projetos são suficiente para construir?! Então, não precisa de mais nenhum!”. É importante entendermos que não é assim. Tanto o Arquiteto quanto o Engenheiro Civil são profissionais muito importantes. Por exemplo, na construção de uma casa, as atividades são distintas e têm grande relevância.

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Escócia vai ter a primeira usina eólica offshore flutuante do mundo

Turbinas eólicas offshore são turbinas eólicas instaladas nos oceanos e o seu uso, a cada ano, vem crescendo vertiginosamente. Mas sua aplicação tem se limitado a áreas onde o mar possui pequena profundidade, sendo assim um local fácil para construir fundações, já que tais turbinas que são gigantescas.

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Por que os engenheiros devem entender sobre finanças? [+CONCEITOS BÁSICOS]

Matemática Financeira e Economia ajudam no entendimento sobre finanças.

Na engenheira, é inegável a quantidade de disciplinas técnicas que o estudante deve aprender para ser um profissional diferenciado. Em sua maioria, essas disciplinas envolvem cálculo ou algo do tipo, exigindo um grau de empenho elevado. Além disso, dependendo da área de atuação, certas disciplinas não são vistas com tanta profundidade e as relacionadas à área financeira são um exemplo. A pergunta que surge é: qual a importância e por que os engenheiros devem entender sobre finanças?

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Concreto inflável: saiba como essa nova tecnologia reduz custos na construção civil

O setor da Construção Civil é bastante tradicional e comumente associado a técnicas arcaicas de produção. No entanto, a área tem atraído investimentos em tecnologia e inovação — seja em softwares e sistemas móveis, materiais, técnicas construtivas ou equipamentos. O objetivo dessas iniciativas são a busca pela redução de custos, aumento da eficiência e da produtividade nos canteiros de obras. Uma das inovações que têm se destacado é o novo sistema de concreto inflável.

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